Alguma Outra Coisa

Por que desabafar deixa o pesado mais leve?

19/08/2016 • 0 Comentários

Mais um da série confissão: esses dias voltou a faltar inspiração. Mas não é por falta de emoção, não. É que teve muita saudade da vó, muita mesma, daquela que dá na garganta, no peito, no estômago, um nó.

Teve brasileiro dando orgulho, saltando alto e francês que, se queria mais carinho, deveria ter descido do salto.

Teve nadador que esqueceu que na era digital e da rede social não dá mais para inventar história e não se dar mal.

E teve dia que deu muita vontade de falar dos caminhos que traçamos ou gostaríamos de traçar para os filhos. A reflexão estava na ponta do dedo mas a imagem de mais um menininho sírio, dessa vez coberto de cinza e sangue sem esboçar medo travou qualquer vontade de escrever. Tomada por um desejo de deitar no chão e sofrer.

Deve ser por isso tudo o sumiço. E agora estou aqui com vontade de falar mas a inspiração teima em falhar. Nessa hora não seria, então, melhor se calar? Ah meu amigo, não rola não. É tanta coisa acontecendo no Rio, na Síria e aqui mesmo na nossa própria periferia que, mesmo sem muita inspiração para fazer um texto bonito de reflexão, ficar quieta não será a solução.

E agora, acabo de lembrar que eu também queria muito falar sobre o Pokemón Go, da febre de quem gosta e daquele nariz que vive a nostalgia de achar que o passado era muito melhor, quando não havia toda essa tecnologia.

Aliás, que raio essa mania de se achar que antes era melhor. No que, cara-pálida? No jeito que mal se olhava para as crianças, na maneira como nos alimentávamos, no tratamento que a sociedade dava às suas mulheres e seus escravos?

Enfim… Vê-se bem que estou um pouco confusa, sem saber ao certo sobre o que falar… Procurando, no tudo junto e misturado, o que abordar… Deve ser crise de abstinência de açúcar, desde que inventei que ficaria trinta dias sem comer doce. Dieta? Ah amiga… A dieta aqui é eterna, mas a coisa do doce teve relação com a retomada do foco para estudar. Oi? É… Hoje a mente está desequilibrada e é melhor parar.

Mas só de ter falado, assim, bagunçado, já deixou o coração aliviado. E no final até que ajudou a organizar a pauta das próximas reflexões. Agora vou voltar a olhar para o Rio e suas competições. Porque, às vezes é bom fazer de conta que se entreter pode nos fazer esquecer de tanta coisa triste e torta e da vontade de ver o mundo resetado, para reverter o que anda dando tanto errado. Vai que dá certo.
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Patrícia
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