Alguma Outra Coisa

Por que só dizer “amém” não te faz uma pessoa “do bem”?

02/08/2016 • 1 Comentário

Esse vai ser um texto difícil porque nunca é fácil falar sobre fé, religião e sua variação e também porque há o receio de que alguns amigos (daqueles especiais, que se coloca em uma mão) possam, talvez, não compreender a reflexão. Ou se magoarão. Então, vou começar pedindo atenção para que os ouvidos sejam abertos, junto com o coração, para que não haja desvios na interpretação. Bom, vamos lá…

Primeiro, deixemos algo claro: sim, tenho fé, muita. Sim, acredito em Deus, muito. Mas talvez não exatamente como alguns desses amigos acreditam, tal qual aquele Ser onipresente e onipotente e, principalmente, aquela entidade que escreveu regras aos seus filhos para que cumprissem devidamente, sem qualquer chance de modificação.

E aí começa a distinção de visão: sendo Ele o Pai celestial e, talvez por ser eu uma mãe (bem mortal e usual), minha fé particular não me permite acreditar em um Pai tirano, daqueles que ditou as regras e não aceitará, de forma alguma, que seus filhos dela fujam.

Não consigo acreditar que um Pai que nos deu seu único Filho, permitindo-o que Ele fizesse sua própria escolha ao morrer na cruz para nos salvar, vá agora condenar os outros que por aqui ficaram e que não querem viver na cartilha de alguma religião ou de um único padrão.

Parto do pressuposto de que, se eu que sou só eu mesma, ainda que cheia de regras, manias, e pequenas obsessões, luto diariamente para tentar enxergar meus filhos e deixá-los, dentro de certos limites, a fazer suas escolhas, imagina esse Pai.

Trocando em miúdos, não consigo conceber que Ele, no dia ali do juízo final, mandaria ao calor infernal, por exemplo, um filho gay cujo único suposto “mal” em vida foi não seguir o “padrão sexual” de uma maioria.

Não consigo imaginar um Pai que castigasse um filho ateu que passou a vida tendo como crença principal o próprio ser humano e sua dignidade, sem precisar recorrer a qualquer religião ou entidade para entender e fazer valer aquela regra de amar o próximo como se fosse seu próprio irmão.

A propósito, soa-me curioso um amigo tão religioso, frequentador assíduo do culto, devotado ao Pai, com tão pouca devoção à compreensão e à tolerância ao filhos Daquele, que lhe divergem em questões que não fazem, na verdade, qualquer diferença em sua vida. Afinal, como já disse aqui em outra reflexão, que mal o outro te faz ao escolher com quem quer dividir a cama, a escolher se quer ser doutor ou cantor, se quer acreditar em um único Criador, ou se quer acreditar e lutar por sua maior criação, nós, sem precisar se valer de qualquer explicação espiritual para tanto? Sim! Porque também tenho grandes amigos ateus que são pessoas extremamente preocupadas com o ser humano, seus direitos, sua dignidade, sem precisarem recorrer a qualquer divindade para escolherem cuidar do próximo.

Aliás, essa coisa de proximidade também me intriga… É que talvez alguns façam a leitura de que “o próximo” só pode ser esse aqui bem do lado, frequentador da mesma comunidade, compartilhador da mesma opinião. E se não for assim, aquele distante, que pensa e escolhe seu estilo de vida diferente, está longe de meu coração e jamais pode ser tratados como “irmão”, razão pela qual não lhe devo tolerância ou compreensão.

Outra curiosidade sobre alguns desses meus amigos queridos é o fato de falarem tanto em amor, pregá-lo, louvá-lo mas, ao menor sinal de discórdia (se o outro não vive no seu padrão), o tal nobre sentimento vira ódio, e o que de bom se louvou com tanta veemência se transforma em brados e urros e disseminação da violência. Morte a quem pecou!!!

Daí a incongruência: não foi justamente o Filho do Pai Eterno que preferiu abraçar prostituta, leproso e ladrão, em absoluto exemplo de compreensão e acolhimento? Aliás, não seria Ele quem nos deu o maior sinal de compaixão, ao solicitar, ali na cruz, que o Pai desse, a seus malfeitores, o perdão?

Por que raios, ó Céus, depois de tanto tempo ainda se prega em seu nome, incitando-se o ódio quando enfrenta alguma discórdia, esquecendo alguns de seus maiores exemplos: tolerância, compreensão e misericórdia?

Mas como há sempre esperança, vivo naquela de se disseminar a reflexão: será que o que fazemos é coerente com o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo efetivamente são?
Reflitamos. Melhoremos. Amém.

por_que_so_dizer_amem_nao_te_faz_uma_pessoa_do_bem

Patrícia

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