Pais e Mães e Filhos

Filhos. Por que não ter um só?

13/01/2016 • 4 Comentários

A amiga de um filho só acha isso uma loucura. Se com um já é assim, imagine dois. É verdade. Mais ou menos. No começo é aquela conta inexata. São, praticamente, dois bebês de idades distintas.

Às vezes acho que gêmeos daria menos trabalho. Quase morre-se de uma só vez e, depois, vai melhorando.
Com dois que não têm a mesma idade, primeiro morre-se uma vez. Quando se começa a ressuscitar, morre-se novamente e com requintes de crueldade. Porque, na verdade, sequer se pode ter a dignidade de morrer em paz, já que, depois que o pequeno para de gritar de cólica e dorme, tem ali o outro, clamando por atenção.

Mas como tudo, passa. E quando você acha que não vai mais dar conta dessa contabilidade maluca, a coisa começa a melhorar. É que os dois filhos começam a virar irmãos.

Antes eles eram irmãos só para você e quase inimigos mortais para eles próprios. Ok. Acho que exagerei. Mas pense você ali tranquila em casa. Chega o maridão com uma linda moça (mais nova). Ele beija a interrogação em sua testa e explica. Venha conhecer, querida, a minha esposa mais nova. Mas não se preocupe, ela não tomará o seu lugar. Meu amor é grande o suficiente para as duas. Veja a enrascada em que se mete o até-então-filho-rei-supremo.

Mas o choque inicial da perda desse reinado passa, e o filho mais velho vai vendo ali, no inimigo, um grande aliado. Não que acabem as batalhas. Elas continuam. Às vezes mais, às vezes menos. Mas no final, quem vence a guerra são eles mesmos. E, pasme, você! É que brincar com irmão é muito mais gostoso do que com a mãe, que não enxerga a caverna, nas almofadas; o mar de tubarões, no tapete; e o labirinto misterioso, nas cadeiras.

E vou lhe contar mais um bônus que vem com o segundo: ele lhe deixa mais leve, mais calma, mais solta.
E tem mais um brinde: se o pai não colocou muito a mão na massa no primeiro, não vai escapar com o segundo. E isso é bom? Opa! Muito! Você para de dizer que ele não faz nada. Ele para de reclamar que você não tem mais tempo para ele e para nada. É que ele também não vai mais ter. E o que parecia quase perdido é socorrido e equilibra-se.

E, para não ter dúvida se vai querer mesmo mais um filho, vem a super oferta do dia: leve 2 e pague menos. Menos expectativa em cima do primeiro, que acabou virando o centro absoluto de sua vida, sobre o qual você deposita todos os seus sonhos, desejos, e possibilidades.

É, amiga de um filho só, é bom dividir esse peso. Você vai ver que fica tudo mais leve.

E nessa conta de 1 mais 1 não ser 2, concluo que 1 é bom e 2, dá um trabalho do cão, mas é melhor. Três, então, deve ser a perfeição. Mas, segundo meu marido, se entrar mais alguém em casa, outrem vai ter que sair.

Melhor não arriscar…

Filhos_por_que_nao_ter_um_so

Patrícia
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Comentários
  1. Nichole - 15/01/16 - 19h37

    Não me convenceu nem por um segundo!

    • Patrícia - 15/01/16 - 23h37

      Justo! Em se tratando de filhos, só a cada um é dado saber o que lhe é possível fazer, quanto lhe é cabível e desejável ter, como lhe é compreendido o que é certo ou errado. Aliás, em termos de filhos, ando cada vez mais duvidando das afirmações veementes acerca do que se diz ser certo ou errado.

  2. Carlos Luiz Weis - 16/01/16 - 19h01

    Parabéns ! Sucesso ! Merda!

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