Pais e Mães e Filhos

Por favor, não nos julgue. Acolha-nos.

27/07/2016 • 0 Comentários

Eu sei que você quer me ajudar, aconselhar, auxiliar, orientar esse caminho incrível e, às vezes, sofrível, que é educar filho.

Eu sei que você diz que entende que não é fácil, mesmo porque é provável que você também tenha uma cria. Ou que não tenha mas, se tivesse, saberia exatamente o que faria.

Eu sei que você não me faz críticas, não aponta meus erros e as minhas feridas para machuca-las ainda mais, mas acredite, muitas vezes isso é exatamente o que você faz.

Eu sei que é difícil saber como exatamente me ajudar, mas, saiba, muitas vezes sua tentativa só faz atrapalhar.

Eu sei que você olha de fora e acha que isso sempre é bom, porque não está no olho do furação e, sem o drama e a emoção, poderia saber melhor como resolver a situação.

Mas se eu sei, você também precisa saber e tentar compreender que ninguém sabe melhor da minha vida como ela exatamente é, senão eu, que estou ali, diariamente, todo dia, na rotina, ali bem dentro, profundo, no fundo.

Veja bem. Não estou dizendo que não preciso de ajuda e orientação. Preciso. Precisamos. Muito. Mas aí está o x da questão: não precisamos de mais julgamento, mas acolhimento.

Mas afinal, o que você quer dizer com “acolher”?

Vamos lá, vou tentar explicar:
1. Ao me olhar fazendo o que você desaconselha, primeiro, tenha sempre em mente: ninguém como eu realmente sente.

2. Ao olhar meu filho fazendo o que você abomina, primeiro lembre: nenhum filho é igual ao outro, nem aqueles da mesma família. E tem coisas, infinitas, sobre ele e sobre mim, que você desconhece e nem imagina.

3. Antes de qualquer comentário, nunca se esqueça: essa mãe está fazendo o melhor que pode e que acredita, porque, exceto em situações extremas, em que chega a ser necessário tirar o filho da mãe, nenhuma jamais deseja o pior para sua cria.

4. Tendo essas premissas básicas já ajuda na aproximação, no olhar, não de reprovação, mas de compreensão. Daquele tipo que você sente que alguém vai te abraçar e te falar: calma, eu sei o que você está passando e, por isso, estou aqui para te ajudar.

E se, de repente, você sentir que, na verdade não sabe exatamente o que estou ou ela está passando, ou, se não consegue fazer aquele exercício de se colocar no lugar do outro, vulgo empatia, é muito provável que sua ajuda não terá muita valia. É que vai ficar claro o julgamento e não o acolhimento, ainda que não seja essa sua intenção.

Ah mãe, você está exigindo demais. Não, não estou não.

É porque aqui, mais uma vez, nessa minha nova mania de fazer mais confissão do que reflexão vem outra: dá canseira ver tantos narizes tortos ou dedos em riste achando que estão ajudando a melhorar quando, na verdade, estão auxiliando a pilar para dentro de nosso já machucado coração a frustração de não estar fazendo a “coisa certa” dentro do que se acredita ser um “padrão”.

Então, terminemos a história com essa conclusão: sim, preciso melhorar, relaxar e desatar alguns nós ou firmar outros ainda soltos. Como diria Rosely Sayão, aprender a descomplicar o que é simples, sem simplificar o que é complexo. Preciso aprender aquilo que é o mais difícil: equilibrar.

Mas te garanto, se você também não aprender a acolher ao invés de só julgar, não chegaremos tão fácil lá. Nem eu no melhorar, nem você no ajudar.

E aqui fica mais uma dica: acolhimento sem julgamento vale para qualquer tipo de situação: ajudar o outro a criar filho, a perder peso, a largar o vício, a escolher profissão, a achar seu lugar no mundo, a decidir se vai ou se fica, se casa, se separa, se compra um bicicleta, a decidir alguma questão ou se, simplesmente, não faz nada disso e vai vender artesanato no verão.

Melhoremos. Não julguemos. Acolhemos.

por_favor_nao_nos_julgue_acolha-nos

Patrícia
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