Pais e Mães e Filhos

Por que tanto se julga a mãe alheia?

25/04/2016 • 0 Comentários

Ser mãe é incrível, mas não é fácil.

Já falamos por aqui que, ao parir o filho, nasce uma mãe e uma culpa.
O filho cresce, a mãe amadurece e a culpa, um pouco mais madura, perdura.

É que o filho acorda de madrugada e o da vizinha dorme a noite inteira.
O leite do peito já está secando, e a vizinha tem a produção de vaca leiteira.
O filho grita ao menor sinal de frustração, o da vizinha é tão bonzinho, que bênção.
E cá estamos na lama da roça. Mas, ao lado, filho e grama do vizinho sempre parece mais verde que a nossa.

E se não bastasse a sensação de que se está sempre falhando, vem aquela outra de que há sempre um nariz analisando e entortando.
Talvez seja mesmo uma sensação. Ou não.

É que se pensarmos bem, nós mesmas, em algum momento (ou vários, confessemos), acabamos entortando o próprio nariz ao analisar e julgar a mãe alheia. E vem a certeza de que faríamos diferente. Será mesmo, minha gente?

É que da frieza que se vê de quem está lá de fora, parece mais fácil achar que se sabe melhor do que quem está lá dentro, no calor do olho do furacão.

Mas nessa hora nunca é demais lembrar que a mãe que está ali na confusão provavelmente sabe bem que vive longe da perfeição e isso, por si só, já lhe esfola o coração.

Às vezes se pensa que apontar para a mãe a sua falha, pode lhe ajudar a consertar o que se acha que não está certo. Mas o tiro da boa intenção acaba saindo pela culatra e, ao invés de melhorar, piora a situação.

Primeiro porque quando se trata de filho não há receita de bolo, mesmo que o seu tenha saído cheiroso, macio e cremoso. É que os ingredientes de uma nem sempre cabem na panela da outra.

Segundo porque a ferida já lhe é bem conhecida e tudo o que a mãe supostamente perdida não precisa é de mais um nariz (além do dela próprio) lhe entornando e lhe julgando. Mas, sim, de um abraço apertado lhe acolhendo.

Mesmo porque, cada filho tem particularidades que só a mãe que está ali, no front do dia a dia, conhece. E pode apostar que provavelmente o que o olho e o nariz de fora acham que é possível fazer ou tentar, já se vem tentando e apostando.

Não é que não se pode tentar ajudar quando se achar que a mãe está precisando de socorro (às vezes ela não está, cuidado, é melhor bem avaliar antes de decidir atuar), mas nessas horas pouco vale o olhar da reprovação, a emissão de uma não pedida opinião, ou a atuação como se soubesse, bem melhor do que ela, dominar a situação. O que parece que acolhe mesmo a mãe perdida em sua incansável tentativa de bem criar a cria é a genuína compreensão de que a coisa não é fácil não.

É que a mãe percebe quando é acolhimento e não julgamento. A diferença é sutil, mas acredite, faz toda a diferença na vida de quem só quer fazer o melhor para a criança. Melhoremos, não julguemos, acolhemos.

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Patrícia
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