Nós e Eles

Por que pai não é mãe?

15/04/2016 • 0 Comentários

A amiga acabou de ganhar o primeiro filho. E junto com a descoberta do amor incondicional nasce o medo de perder ou largar o marido.

É que a vida da mãe vira do avesso desde o parto. A do pai, ainda vai outra gestação até ele nascer. Não o filho a ser parido, mas ter um pai mesmo nascido.
Hein?

É que no começo o bebê quer mesmo teta. E aí vem a treta. Porque é a mãe quem vai ali para o front da madrugada. E aí ela fica exausta, coitada. E quer atenção e quer compreensão. E o marido ali no sofá vendo televisão. Ou saindo com os amigos para jogar bola e beber cerveja. Eu já volto, é logo ali. O que enlouquece a mãe que não tem mais tempo para, sequer, fazer xixi.

Não que a vida para ele continue como era, exatamente. Não continua. A razão principal talvez não seja a chegada do filho, propriamente. Mas o fato de que ele não a tem mais, exclusivamente.

E essa percepção inicial do pai é difícil de se engolir naturalmente. Porque a gente quer vê-lo ali na função, presente, integralmente. Mas, ele não estará, amiga, ainda não, provavelmente.

É que a paternidade vem com um pouco de atraso, mais ali para frente, quando o filho começa a perceber que você não é uma extensão dele, simplesmente. E que há outras pessoas no mundo. E aí ele começa a descobrir que uma delas é aquele sujeito que ficava ali do seu lado. O tal do pai, que, então, nascerá, efetivamente.

Penso eu que como cada família e seu rebento tem um formato e um jeito, não deve dar muito para precisar quando é que esse pai vai chegar, exatamente. Aqui em casa foi lá perto de um ano, quando o primeiro filho começou a ficar mais independente.

Agora, o que ajudou mesmo o nascimento do pai, daqueles assim que a gente gestacionou e esperou, foi quando o segundo filho chegou. Aí não teve atraso. Rapidamente o primeiro adotou o pai como a solução e a salvação, diante da árdua chegada do irmão. Aliás, já falamos sobre isso em outra reflexão.

Então minha amiga, o que tenho para lhe dizer, de coração, é que é interessante administrar a frustração. Aquela que vem com a quebra da expectativa de que o marido entraria na paternidade de cara, de corpo e alma e coração.

E quando se compreende que pai não é mãe e que a gestação da paternidade demora um pouco ou bem mais que nove meses, aceita-se um pouco melhor ou mais tranquilamente a situação.

E ao se aceitar a diferença que há mesmo entre nós, dá para deixar mais leve o fato de que é mesmo a nossa vida, no começo, que vira de pernas para o ar. E ao se parar de tanto esperar, aprende-se a acalmar nosso orgulho ou nossa indignação pelo outro não perceber nossa exaustão. Aprende-se a pedir ajuda com o coração, de forma genuína e certeira, e não com sangue nos olhos e faca na caveira.

E ele começa a olhar e, com o nosso pedido, ajudar.

Por isso, amiga que acabou de ter filho, não se sinta solitária nessa batalha. Nós também, entre mortos e feridos, sobrevivemos.

Talvez não todas, talvez porque algumas e alguns não conseguiram reencontrar o equilíbrio perdido na chegada no primeiro filho.
Fato é que a bagunça acontece amiga, aí, aqui e na casa da vizinha. Força na peruca, paciência e sapiência e, depois que parar de amamentar, uma tacinha de vinho há de ajudar. É difícil e, às vezes, no surto da noite mal dormida, dá vontade de desistir e fugir, mas vale (muito) a pena ficar e tentar. O casamento há de voltar a engatar.

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Patrícia
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