Alguma Outra Coisa

Por que acredito na adoção?

27/06/2016 • 0 Comentários

Outro dia já escrevi que churrasco em casa, para quem não conhece a situação e quer entender a dinâmica familiar, dá confusão. É que tem família do sangue e aquela do coração. Assim mesmo. Igual adoção.

Padrasto adotando filha. Tio que parece irmão. Amiga que parece irmã. E é. E ontem foi aniversário dela. E deu vontade de fazer aquela foto na rede social acompanhada de dedicatória. Mas isso seria muito trivial, banal demais para quem é muito mais.

É que ela não é aquela amiga que a gente diz ser de infância ainda que se tenha conhecido há um mês. Ou a best friend forever que virou moda mas, na próxima estação, já saiu da coleção e do coração. Não. Essa é para valer. Daquelas que existem na sua vida desde que você se vê e que sem ela não saberia viver. É que ela esteve, sim, desde a infância, na brincadeira de criança, nas crises da adolescência, nas questões atuais da existência.

Ela sempre esteve e sempre estará. Esteve no altar, no mar, está sempre no bar. Mesmo quando ela não vai estar lá porque não dá para estar em todo o lugar, ela dá um jeito de ir ou ficar.

E o tanto que ela cuida… De mim, dos meus filhos, do meu marido, do meu umbigo, da minha alma, da minha falta de calma, do meu drama, das minhas questões, das minhas emoções.

Ela me dá abrigo, ela me acolhe, me socorre. E não tem e nunca teve um só momento de alegria ou agonia em que ela não desse um jeito de celebrar ou de consolar.

É tanta coisa, tanta história, tanta doação, tanta divisão, que não tem como não acreditar na adoção. Aquela que constrói a relação não a partir do sangue mas do fundo profundo do coração.

E se minha vida privada é no padrão pai-mãe-filhos, minha família estendida é muito maior do que aquela que vem do sangue. E se sou integralmente adotada de corpo e mente por meu padrasto-pai, minha sogra-mãe, meus tios-irmãos, meu irmão-filho, minha amiga-irmã, dá para desconfiar que adotar filho não pode ser nada menos que incrível. E tal como qualquer relação só pode mesmo ser difícil, com dias de amor, dias de dor, dias do cão. Doação.

Mas, meu amigo, quando a construção vem do coração, banhada a sangue ou não, ninguém segura a fundação. Porque é sólida, concretada nas entranhas da alma, pode vir ventania ou furacão, pode balançar mas não vai ao chão.
Por isso acredito na adoção. Seja ela qual for.

E hoje, especialmente porque ontem foi o dia dela, a agradeço por ter me adotado lá no passado, nos idos de oitenta e poucos. E tenho certeza que chegaremos juntas, no futuro, com noventa e muitos.

Amemos. Construamos. Adotemos.

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Patrícia
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